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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Setembro, o mês perfeito para recordar ou isto da vida ser um eterno re-começo.




Setembro é, por excelência, o mês de começar de novo, e de tudo o que isso implica.
Saltamos do 31 de Agosto com um misto de tristeza por tudo o que estamos a deixar para trás, de saudosismo por todos os Setembros da nossa vida, de nervoso miudinho pelo que sabemos que nos está a aguardar e também com muita alegria, principalmente para os mais afoitos e de espírito aventureiro e tenaz. Ou simplesmente para os bem resolvidos da vida.
Já não sou aluna, embora sinta que estarei sempre a aprender. Mas sou professora e para mim também começa ou recomeça tudo por esta altura. Vivo estes dias com a expectativa de saber o que aí vem, como vão ser os novos alunos, como vai ser a nossa relação, como vai estar a minha vontade de ensinar.
E talvez porque sou professora, ou apenas porque sou pessoa, acho que se torna inevitável fazer o balanço dos dias e que as memórias do início de tudo, dos primeiros momentos de escola a sério, da primeira entrada na sala de aula, do primeiro olhar, renasçam agora em força e nos façam viajar no tempo e recordar.
E vocês, lembram-se da vossa escola? Do início das aulas, ano após ano? Da carteira à vossa espera, do quadro negro pronto para ser novamente utilizado até à exaustão, dos apagadores e do pó do giz e das cadeiras que pareciam de madeira mas que afinal eram só imitação? Lembram-se dos cheiros? Dos passos da professora e das correrias no recreio? Dos risos e das cantilenas, da vontade e dos bocejos? Lembram-se das caras, dos nomes, dos bilhetinhos trocados ou do tímido primeiro beijo? Das régua, das reguadas, dos medos e do respeito? Das mãos da mãe no momento do “até logo” e das mil sensações a explodirem-vos no peito. Lembram-se?
Estas memórias podem ser felizes ou tremendamente angustiantes.
A memória é um tesouro que deve ser partilhado. E são recordações como estas que nos fazem ser quem somos. O que escolhemos esquecer e o que escolhemos lembrar vai fazer toda a diferença na construção do nosso self – o que somos, o que fomos, o que preferimos ser e o que podemos ser num futuro ainda possível, está tudo ao alcance da nossa mão.
E agora sou mãe e tenho os meus filhos a passarem por isto, a construirem as suas memórias, a começarem ou a re-começarem as suas histórias de vida escolar. Desde o mais velho que vai agora para o sétimo ano, à mais pequenina que vai entrar pela primeira vez no colégio.
E o que desejo, acima de tudo, é que os meus filhos, e os vossos, entrem sem medo em mais uma etapa do seu percurso académico. Sei que alguma apreensão faz parte, mas quero acima de tudo que entrem com entusiasmo pela nova aventura que vai agora começar. Quero acima de tudo que se não souberem alguma coisa lhes digam que não é o fim do mundo; que os façam sentir únicos, com os seus talentos individuais, com o seu percurso tão próprio, com a sua energia tão especial.
Desejo que tenham hoje e que vão tendo sempre professores que adorem ensinar e que ensinem aos seus alunos a amar a aprendizagem e o conhecimento; que compreendam que as crianças não estão sentadas em linha, à espera de se tornarem adultos e que não se pode pedir aos mais pequenos que fiquem quietinhos e com atenção mais de uma hora seguida; que saibam que as crianças trabalham muito melhor quando gostam do professor, que falar de afectos é meio caminho andado e também que as capacidades da memória se desenvolvem muito mais facilmente através do jogo, dos risos, dos abraços e beijinhos do que através da repetição mecânica e enfadonha das lições.
Espero que cresçam cheios de conhecimentos, mas sobretudo com formação interior, com espaço no coração que lhes permita fazer face a dificuldades, a responsabilidades, aos desafios da vida.
Desejo acima de tudo que cheguem a casa cheios de vontade de contar coisas sobre todas estas vidas e estórias entrelaçadas, que são agora mais deles do que nossas, das quais vamos fazendo cada vez menos parte.
Espero, afinal de contas, que cresçam felizes, com memórias felizes dos dias coloridos da infância.
E ainda que cada recomeço seja celebrado e que cada celebração seja sentida como um re-começo. Uma nova possibilidade.





Texto escrito a convite da Zippy, que celebra por esta altura, com todos os pais e filhos, também este recomeço. E porque ainda esta semana temos passatempo, estejam atentos.

9 comentários:

bebexik disse...

Querida Sofia,


Mais um ...daqueles .... muito mas muito BOM.....

Cheio de verdades e carregado de emoções....mais um que enche corações

bjns
Raquel

Alexa ML disse...

Para mim não há cá resoluções de Ano Novo em Janeiro. Há resoluções de Setembro! E acho que é assim com meio mundo.

É verdade que os meus anos de primária não foram assim há tanto tempo, mas há situações que me lembro como se tivessem acontecido ontem. E outras que simplesmente se foram, com muita pena minha.. E a pena que tenho da minha escola primária ter fechado porque juntaram várias numa só =(

E o título deste lindo texto é tão mas tão verdade. A vida é mesmo um eterno re-começo. E neste Setembro espero que parte da minha recomece de novo! (:

E que os petizes comecem ou re-comecem com a mesma alegria que nós o fazíamos! Mas, por favor, sem cantarem "É sexta-feira, já sei de cor a turma inteira..!" =X

***

Viver por Amor disse...

Que belo texto!!!Linda a mensagem!***Como eu adorava a escola, que saudades dos recomeços em Setembro...***

Catarina Santos Sousa disse...

Tão certo e tão verdade.

E um beijinho de parabéns :)

Polly disse...

Adorei o texto! Adoro relembrar os momentos! Consigo lembrar-me tão bem do 1º dia de aulas da 1ª classe! Do sorriso e da paz da minha professora, de como ficava nervosa e vermelha se tinha que "ralhar" com alguém. Das cantilenas do recreio. De como as secretárias pareciam grandes. Dos ditados e de ir ao "quadro" ;)

Magui disse...

Eu faço anos em Agosto, por isso Setembro é para mim o mês de todos os começos, começo um ano de vida e faço todos os planos e resoluções nesta altura...
Os dias de escola não me trazem grandes saudades, mas continuo a amar este regresso à vida de todos os dias...
O texto está lindo, delicioso, definitivamente para guardar e reler!
Beijinhos

Borboleta disse...

Querida mamã,

Consegui rever-me em cada palavra do seu texto. Também sou professora e mãe de um menino que vai agora para o pré-escolar.
Setembro também custa-me ser um mês de renovação para mim, fecha-se um ciclo e abre-se outro. Este ano o ciclo anterior fechou-se, porém não se abriu um novo. Não há nada mais triste para um professor do que não ter alunos para ensinar.
Que seja um belo recomeço para os seus!
Beijinhos

B. Cérise disse...

Querida Duchess,

Gostei tanto, mas tanto do texto :) eu adoro o mês de setembro por todos os recomeços que traz, por todas as possibilidades em aberto, por todos os alunos que vou conhecer e pela oportunidade que tenho de participar na vida dos meus alunos!
Não resisti e citei uma parte (http://letrasecronicas.blogspot.pt/2012/09/semana-22-setembro-ou-estacao-da-calma.html), espero que não leve a mal.

um grande beijinho*

Duchess disse...

B: não levo nada a mal. É sempre uma honra ser citada e ser partilhada.

Um grande beijinho

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