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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Para ter filhos não basta querer ou a estória de uma infertilidade com final feliz.



“ Há que olhar para a frente e ter fé...”
“Whatever way motherhood comes to us, it will always be especial”
(escrito no meu diário em 2007)



Quando somos pequenas queremos ser professoras, bailarinas, decoradoras, e claro, mães. Na grande maioria é quase instintivo. Uma força inexplicável.
E, realmente, como as coisas mudam! Se durante os nossos anos de juventude ficamos contentes por saber que, afinal, não estamos grávidas (quem não passou já por um susto desses?), com o passar dos anos, aquilo que foi sentido como um alívio e até com uma certa alegria, pode tornar-se um pesadelo.
E para muitas e muitas mulheres, por muito ridículo que pareça a quem vê de fora, 6 meses de espera, de anseios e tentativas frustradas é uma eternidade. É verdade que a grande maioria engravida no primeiro ano, mas… e quando isso não acontece? E quando passa o primeiro ano e depois o segundo e quando se engravida e se aborta sem saber porquê? E aí como é que fica? Como é que se gere a nossa vida? Como é que se mantém o nosso amor-próprio, a nossa auto-estima e a confiança em nós, no outro e no futuro?
Pois…temas difíceis, momentos difíceis, que infelizmente fazem parte da vida de muita gente e também fizeram parte da minha.

E se a uma certa altura fiz parte da estatística e consegui engravidar (e levar a gravidez até ao fim) no primeiro ano de tentativas, a verdade é que depois disso a história foi outra….
Infertilidade secundária. Mas do que é que estão a falar? Como é que é possível gerar um primeiro filho sem esforço e depois sentir que para nós acabou? Mas porquê?
A infertilidade secundária é definida como a incapacidade de conceber um bebé ou seguir com a gravidez até o fim, após o nascimento de um ou mais bebés. Dizem também que é uma condição médica comum. Mas se é comum porque é que ninguém fala nisso? Porque é que estas coisas se escondem tão bem escondidas que ficamos a pensar que mais ninguém passou por isso sem sermos nós e que alguma coisa de muito errado devemos ter feito.
Porque é que ninguém fala nas tentativas frustradas e nas gravidezes falhadas?

Eu vou falar, porque me consumiu, porque nos fez sofrer, mas, sobretudo, porque nos uniu, nos fez realmente pensar no que é que é realmente este milagre de gerar um filho e dar-lhe um lar.
Filhos não se planeiam, filhos não se escolhem, sexos não se escolhem… e quantidades também não. Ter um filho é uma dádiva (e sei que toda a gente acena com a cabeça, mas pergunto a mim mesma se toda a gente de facto percebe aquilo que estou a dizer). E se toda a gente fala nos seus rebentos, nas roupinhas e no cheiro a bebé, pouco se fala nas mãos vazias, no coração dorido, e em toda a frustração que é tentar-se engravidar sem conseguir, ou passando por abortos recorrentes, sobretudo quando os médicos dizem “…. Não há causa aparente, são azares da vida”.
Nesses momentos olha-se à volta e suspira-se quando a colega torna a engravidar sem querer, começa-se a evitar visitas à maternidade, a evitar babyshowers das amigas, (que na grande maioria são todas hiper compreensivas até engravidarem e depois insistem em que tens que ser de ferro e ver com elas fotos de ecografias, primeiras roupinhas e mais não sei o quê….). E não, não tem nada a ver com inveja, tem a ver com uma simples realidade que também queremos sentir, festejar. Que desejamos muito para os outros mas também muito para nós próprias.

Por isso aconselho a quem passa por estas situações… falem, não guardem sentimentos e dores surdas. Isso não ajuda mesmo em nada. Há mais gente no mesmo barco, há fóruns que falam sobre tudo isto e onde há pessoas que passam pelo mesmo (e que como tal sabem o que custa, não vão dar palmadinhas nas costas e dizer “ vais ver que quando deixares de pensar nisso vai acontecer”….)
Ao fim de 5 anos consegui não só engravidar, como manter a gravidez até ao fim. E hoje tenho dois filhos fantásticos, que me completam como nunca nada me completou, que me preenchem e que amo tanto e tanto que às vezes até chega a doer.
Se gostava de ter mais filhos? Sim gostava, mas também gostava que ao escrever estas palavras não houvesse tantas mulheres e homens a sofrer por não poder ter filhos de todo. Por saber isso limito-me a dar graças, todos os dias, sempre, porque para ter filhos, soube de uma forma muito dura uma verdade muito simples, para ter filhos não basta querer.







Muito obrigada Patrícia pelo teu testemunho.

23 comentários:

Isabel disse...

E de repente fiquei com lágrimas nos olhos...porque é isto mesmo que eu sinto...

Anónimo disse...

Já li o teu post de hoje e já fiquei c a lágrima no canto do olho....Infelizmente sei bem o que é querer e saber que o mais certo é nunca vir a ter um filho....Sabemos que acontece aos outros mas qdo nos bate à porta não é nada fácil!Neste caso o problema não é meu!Acho que dentro do possível aceitamos bem a situação e acho q até nos uniu(temos q tirar o lado + da situação).Agora estamos à espera do resultado duma análise e que ou ficamos com a sentença lida ou ficamos com uma esperança....mas é mto complicado, é ter a cabeça num gde nó, é por em causa coisas q sempre quis, é ter dias de já n saber nada....
Se calhar há por aí 2 irmãos que precisam do nosso amor e carinho...é esperar para ver.....Seja o que Deus quiser.....
Bjs

TERRA DE CORES disse...

Eu sinto-me mm uma felizarda...
Este assunto sensibiliza-me mto, talvez pq há uns anos era uma questão que me vinha ao pensamento (se um dia eu não puder ter filhos?)... mas felizmente tive... e facilmente!

Todas temos alguma amiga q passou ou passa por esta situação, mas eu não tenho uma, tenho várias amigas q ainda têm esperança de conseguir aumentar a família e outras q já perderam efectivamente a esperança!

Obrg pelo post...
Bjs gr <3

Alice disse...

Como me revejo em cada palavra da Patrícia. E também eu gostaria de ter um final feliz destes, e desejá-lo a todas as mulheres que sofrem com este assunto.

Vou partilhar este texto, porque sei de quem precisa dele para ultrapassar um assunto tão delicado. posso partilhar?

Obrigada

4D disse...

Pode sim Alice.

Um grande beijinho a todas.

Alice disse...

Obrigada pela partilha, mais uma vez. O link está lá para quem quiser conhecer este testemunho.

4D disse...

Também já fui lá ler. Obrigada. Abrir canais de comunicação é sem sombra de dúvida muito positivo.

Um grande beijinho.

Claudia disse...

Tambem eu tive um diagnostico de anos, em que me diziam que nunca iria ter filhos. Sofri, chorei esperneei, e conformei-me. O tumor cerebral que me acompanhava nunca iria premitir isso. 13 anos depois, engravidei inesperadamente. Sem esperar. E adorava ter outro filho... vamos ver se consigo.

4D disse...

Claudia, não sabia. Um grande, enorme, beijo.

Vchapéus disse...

Conheço bem de perto essa realidade e assisto à frustração que é querer tanto e não conseguir! Chego a ficar acordada à noite a pensar no casal e na batalha que travam há já uns anos.
Penso que muita gente não fala sobre este assunto porque a sociedade espera que as pessoas casem, tenham um bom carro, uma boa casa e tenham filhos e quando um casal não cumpre fica à margem.
Excelente post, parabéns!

Anónimo disse...

Infelizmente sei bem o que isto é..
Já lá vão 2 anos e tal de tentativas e nada...
Este assunto toca-me bastante, e tenho muita dificuldade em abordá-lo, então guardo-o para mim e para muito poucos à minha volta.
Obrigado por este post, fez me chorar, mas tb me fez sentir que não estou sozinha nesta batalha tão triste!

Anónimo disse...

Infelizmente sei bem o que isto é..
Já lá vão 2 anos e tal de tentativas e nada...
Este assunto toca-me bastante, e tenho muita dificuldade em abordá-lo, então guardo-o para mim e para muito poucos à minha volta.
Obrigado por este post, fez me chorar, mas tb me fez sentir que não estou sozinha nesta batalha tão triste!

Maria disse...

Sabes, nunca senti na pele a infertilidade pura e dura, embora conviva de perto com ela através de alguém que me é muito querido, mas sei o que é isso da infertilidade secundária. E dói, dói muito! A perda, a impotência, a consciência do quanto somos pequenos e como controlamos tão pouco.
A minha história, como bem sabes, teve um final feliz. Agora, aqui por casa, tenho uma adolescente e uma mini muito especiais, mas o certo é que há também um vazio, e como gostaria de ver esse espaço entre elas preenchido de outra maneira...

Observadora disse...

Eu acho que todos os pontos do que sentimos nesta situação foram focados neste texto.
E também eu estive dos dois lados como a Patricia.
Resta-me apenas mencionar que somos dois a passar por todo este processo e daí também se evitar a exposição, somos diferentes nessa partilha de dor e temos que respeitar a vontade de quem está a sofrer connosco.
E existe muito a tendência de se tentarmos falar com alguém há sempre uma mezinha, é stress ou vão de férias.
Somos rotulados de coitadinhos (nunca me senti coitada, triste e desiludida sim, mas nunca coitada)e muitos vezes criam-se estigmas.
Quando a situação se inverte e nasce um filho a ciência nunca teve qualquer peso. Foi tudo por rezas, conselhos e mezinhas que lá se chegou.
Por isso a dor e a alegria se tornam em silencio para preservarmos a nossa sanidade mental e nos focarmos no que realmente é importante.
É ridiculo afirmar isto, mas às vezes os que nos são mais próximos ao quererem ajudar são so que mais nos deitam a baixo.
Força para todos os que se encontram nesta situação. Os foruns foram a ajuda mais preciosa que tive nesta batalha. Não deixem que haja interferências destas na vossa batalha. Já é dura que chegue.

joaninha disse...

Infertilidade secundária. 4 anos. Os foruns nunca me ajudaram. Ja não falo disso, porque de facto ninguém quer ouvir. Aguardamos por uma outra esperança, e choramos baixinho, a 1, a 2 ou a 3.

Alice disse...

Olá,

Apesar de não ter facebook, sei que citou o meu blogue. Também assim, foi possível chegar mais longe, a quem sofre do mesmo problema.

Muito obrigada por ter partilhado. Que esta nossa partilha acompanhe os que que se julgam sós nesta jornada.

4D disse...

Um abraço muito apertado e só posso dizer que estou aqui para o que precisarem.

***

Elsa disse...

A infertilidade diz-me muito, uma vez Infértil toda a vida Infértil!

Quando há 10 anos comecei a tentar engravidar, a Infertilidade era um Tabu ainda maior do que é hoje.

É uma realidade dura de se viver que nos corrói a alma, que nos faz chorar por dentro e por fora, até que chegamos a uma etapa que só choramos por dentro e se aprendemos a viver com ela, os nossos olhos são de dor e tristeza!

Foram 7 anos de sofrimento, de muito choro, de depressão, desilusão, de incompreensão, de revolta. Sentimentos que só compreendidos por quem passa pela Infertilidade.

Se no início cada tratamento era uma esperança renovada que acabava assim que recebia o negativo. Os últimos eram um verdadeiro tormento, pois os tratamentos tanto a nível físico como psicológico são muito violentos já para não falar na parte financeira.

Deixei de acreditar que um dia iria conseguir ser MÃE, mas a esperança estava lá escondidinha no fundo do nosso coração.

O meu último tratamento foi muito sofrido, só consegui 3 óvulos que resultaram 2 ovócitos lindos como eles só (palavras da médica)e coincidência das coincidências o dia da análise era um dia muito importante para nós - era o aniversário do nosso casamento - olhámos um para o outro e só podia ser um bom presságio! E assim foi, no dia 24 de Março de 2009 ao ligar para o hospital para saber o resultado, oiço a médica dizer o quanto ansiei anos "Está grávida, muito grávida!" as lágrimas caiam-me pela cara e só olhava para o meu marido com um sorriso e acenar com a cabeça.

Se neste dia venci uma batalha que nunca tinha conseguido, no dia 17 de Novembro de 2009 venci a guerra da Infertilidade e a dobrar por 2 meninas lindas que me põe os cabelos em pé, mas que são a nossa vida! O dia em que se ouve "Mamã" é algo que nos ultrapassa!

Desculpem o testamento, mas sei o que é a dor da Infertilidade ela fez e fará sempre parte de mim. Quem está a passar pelo mesmo, Força muita Força e que sejam abençoadas como eu fui.

Não tenham medo de falar, eu nunca escondi a minha doença, sim porque a Infertilidade é uma doença só que não é visível e as outras pessoas tem que saber que a OMS diz que assim o é.

Deixo-vos o contacto da Associação Portuguesa De Infertilidade hoje Associação Portuguesa de Fertilidade http://www.apfertilidade.org/web/index.php que foi criada em 2006 por um grupo de 20 pessoas inférteis
e o fórum
http://www.apfertilidade.org/phpBB2/

Um beijinho muito grande
Elsa

4D disse...

Elsa, fiquei muito, muito comovida com o seu testemunho.

Se não se importa vou posta-lo no fb. Acho que é muito importante chegar a mais e mais pessoas.

Um beijo do tamanho do mundo e parabéns pelas meninas:)

Elsa disse...

Olá Sofia,

Pode colocar à vontade!

A Infertilidade ainda dói cá dentro...

Um beijo enorme também para si e para os seus 3 meninos e menina linda:)

vidasdanossavida disse...

É tudo tão verdade. Depois de quase um ano a tentar engravidar tive um aborto, depois engravidei e o meu filho nasceu (que faz 3 anos em Janeiro). Uma gravidez e parto abençoados. Quando ele fez um ano e meio decidimos aumentar a família. Engravidei logo o que foi uma euforia. Na eco das 6 semanas não foi detectado batimento. Esperámos mais uns dias e nova eco com o mesmo resultado: aborto retido. Esperei quase um mês para fazer a expulsão naturalmente. Dias de grande angústia e tristeza. Três meses depois tentámos novamente. 6 meses a tentar engravidar. A gravidez chega. Alegria. Antes de ir à ecografia tive um aborto espontâneo na véspera de fazer anos. Foi muito duro, mas não desistimos. Esperámos o tempo que a médica mandou, fiz uns tratamentos (estimulação ovários e progesterona) e engravidei novamente. Perda de sangue nos primeiros dias e repouso. Aqui estamos nós às 11 semanas e 3 dias. Ainda com uma gravidez com "parabéns reservados" e a aguradar pela eco da próxima semana, mas felizes por estarmos a conseguir levar esta gravidez em diante. Quando me perguntam se quero menina ou menino dá-me vontade de rir. Eu quero é que o bebé venha e venha bem. Nomes? Sei lá. Não pensámos nisso. Estamos receosos de deitar foguetes antes da festa.

Beijinhos para todas.

4D disse...

Vou torcer muito, muito, muito.

E sei o que é, por outras razões, viver com medo do dia seguinte.

Beijo enorme.

at.home.ideas disse...

Fiquei sem palavras com o post e com os comments!! Muita força para todas as que estão a passar por este tipo de situação!! Um beijinho muito grande*

http://at-home-ideas.blogspot.pt (Mariana)

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