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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mulheres que sofrem - testemunho

Uma das coisas que gosto de mostrar são testemunhos de gente sofrida, de gente que podia estar de costas voltadas para a vida mas que deram a volta e são pessoas felizes. Sofridas mas felizes. De bem consigo, com os seus e com o seu Deus.


Deixo-vos esta causa, este monstro silencioso de que pouco se fala. Deixo-vos a estória da Carla e da luta que travou contra a endometriose. Porque a Carla não é a endometriose e a endometriose não é a Carla É fundamental que a Carla se veja muito além desta doença. Força Carla! Um beijo a todas as mulheres que passam ou passaram por esta dor.


A Carla escreveu os eu testemunho no blog MulherEndo e pediu que o partilhasse também aqui, com vocês.






Chamo-me Carla Cerqueira e tenho 32 anos. Em 2008 fiquei a saber que tinha ovários micropoliquisticos (tinha ciclos enormes e não ovulava) e fiz eco que confirmou! Comecei depois 6 meses de Dufine. Após 11 meses no total lá consegui o meu positivo!

A 26 de Fevereiro de 2009 a Mariana nasceu e depois de 7 meses de amamentação e com a vinda da menstruação vieram as dores. Fui à minha Ginecologista de sempre que ao fazer toque sentiu uma massa.
Mandou fazer ecografia durante 3 meses ( 1x por mês ) e foi diagnosticado como um endometrioma que não parava de crescer. Isto enquanto fazia a toma da pílula Mercilon.
Ficou decidido realizar uma cirurgia para tirar esse endometrioma e ver se a Endometriose estava em alguns órgãos.
As minhas dores sempre foram mais a nível intestinal e sexual. Houve fases em que eram quase diárias. Tive dias que nem sabia como aguentava tantas dores. Eu ia para a casa de banho e gritava e chorava com dores para defecar! As relações sexuais eram dolorosas e por vezes até as evitava!
A 14 de Janeiro de 20011 dei entrada e fui submetida a uma laparoscopia.
Sabia que a situação era complicada mas não pensei que fosse tanto! Tinha endometrioma do ovário esquerdo, aderências nos ovários, nas trompas, na bexiga e nos intestinos e Adenomiose. A médica limpou o mais que pôde mas ainda ficou alguma coisa. Perdi muito sangue e durante a cirurgia a médica esteve quase para mudar de técnica e fazer laparotomia tal era o estado em que eu estava.Ver e ouvir a médica a falar nisto quase a chorar mexeu imenso comigo pois não sabia quase nada sobre esta doença.
Passados uns meses queixei-me com dores intestinais e voltei a nova consulta.
Tomei Lucrin por 3 meses e adorei a menopausa! Tive uns 3 calores que passaram em menos de nada. Fiz uma colonoscopia que como não foi realizada por um especialista com conhecimentos em Endometriose não acusou nada.
Fui aconselhada a procurar um Ginecologista especialista em Endometriose e através de algumas pesquisas, encontrei a Dra. Filipa Osório, uma médica fabulosa e muito humana.

No fim de 2011 iniciei exames. Fiz Ressonância Magnética Pélvica, Eco Pélvica Vaginal e Eco Renal e Vesical onde foram detectados tumor recto-vaginal, quisto para-tubário, aderências nos intestinos e nos ligamentos útero-sagrados e adenomiose. Tendo em conta este quadro clínico era necessária nova cirurgia onde corria o risco de ser necessária anastomose do intestino e o meu maior medo era a colostomia que felizmente não foi necessária.
Fui operada pela Dra.Filipa Osório a 17 de Abril de 2012 e correu tudo muito bem.
Alguns meses após cirurgia sinto-me muito bem! Os intestinos trabalham de forma regular e a minha vida sexual melhorou imenso. Só isto para mim é a felicidade pura!
Por isso digo que após uma cirurgia é sempre a melhorar e não há que ter medo que ir ao médico. O nosso corpo dá sinais e há que saber decifra-los!
Após a cirurgia tentámos engravidar com a ajuda de medicação para menstruar e ovular.
Neste momento decidimos parar por uns tempos porque passei mal com a medicação e seus efeitos secundários. A nosso ver, saber parar também tem a sua sabedoria.
Temos uma filhota linda que precisa de mim 24h por dia. Sou Mãe a Tempo Inteiro com muito orgulho! A minha Pipoca merece ter a mãe como sempre teve. Com energia e paciência.

1 comentário:

Anónimo disse...

Passei/estou a passar quase exactamente pelo mesmo, também com ameaça de colostomia, na mesma altura...
Agora só falta dar a volta à (in)fertilidade... E isso custa mais do que todas as dores que tive de suportar com esta doença idiota...
Mas o optimismo continua sempre cá!
Beijinhos =)
Guida

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